Formação Cultural na Casa da Praça Mobiliza Fazedores de Cultura e Discute Gargalos do Fomento em Castro

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Na noite de 30 de setembro, a Casa da Praça, no centro histórico de Castro, tornou-se o epicentro de uma necessária e acalorada reflexão sobre o presente e o futuro da cultura no município. O encontro de formação, promovido pelo Comitê de Cultura do Paraná, atraiu um público expressivo: a sala esteve tomada por artistas, conselheiros, produtores, trabalhadores da cultura e formadores de opinião locais, todos atentos ao debate sobre os marcos legais do setor e a importância da participação popular nas decisões públicas. A noite teve início em tom poético com a apresentação do Duo Cordas Dedilhadas, que encantou os presentes e preparou o terreno para as discussões técnicas e políticas que se seguiriam. Na pauta central, estiveram o funcionamento do Sistema Nacional de Cultura (SNC), a relevância do CPF da Cultura (Conselho, Plano e Fundo) e a urgência de consolidar as Conferências Municipais como instâncias reais de deliberação.
O Gargalo do Fomento: A Ausência de Recursos Municipais
Apesar do entusiasmo e da maciça adesão da comunidade artística, o debate trouxe à tona angústias e críticas contundentes direcionadas à administração pública municipal. Um dos temas mais recorrentes e batidos entre os presentes foi a crônica falta de investimentos do Poder Executivo de Castro no fomento à cultura local. Fazedores de cultura e líderes comunitários denunciaram que, atualmente, as únicas oportunidades de financiamento e sustentabilidade para projetos artísticos no município dependem exclusivamente de repasses federais, por meio dos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).”Sem o aporte federal, a produção cultural independente em Castro estaria completamente abandonada”, pontuaram agentes culturais durante as intervenções da plateia.

Falta de Escuta e Visão Elitista do Executivo
Outro ponto de forte contestação foi a postura do Executivo municipal em não ouvir as demandas e reais necessidades da população e da classe artística. Integrantes do movimento cultural criticaram a falta de diálogo direto e a imposição de uma agenda cultural verticalizada. Segundo os participantes, a gestão local direciona seus escassos recursos e apoio institucional apenas a artistas e estilos específicos — aqueles que os próprios gestores, de forma subjetiva e arbitrária, “julgam ser cultura”. Essa abordagem exclui a diversidade de manifestações populares, periféricas e identitárias que pulsam na cidade, relegando grande parte da classe artística local à marginalidade institucional.
Participação Social como Caminho para a Mudança
Diante dos gargalos expostos, os representantes do Comitê de Cultura do Paraná reforçaram que a estruturação e o fortalecimento do Conselho Municipal de Política Cultural e a realização periódica das Conferências de Cultura são as ferramentas legítimas para reverter esse cenário. Somente por meio de instâncias democráticas e participativas a sociedade civil poderá exigir o orçamento próprio municipal, a aplicação correta dos fundos e a garantia da pluralidade artística. O encontro na Casa da Praça deixou evidente que a classe cultural de Castro está mobilizada, articulada e consciente de seus direitos. O recado dado na noite de 30 de setembro foi claro: a cultura em Castro não pode continuar refém do gosto pessoal de gestores temporários, necessitando urgentemente de políticas públicas de Estado, transparentes, inclusivas e com financiamento próprio. ( Fonte: canallinguasolta.com)

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