
Opinião / Política Nacional — Parnanguara Notícias (Campos Gerais)
Por Eiboo Parnanguara / Análise Política / Imagem IA
O submundo das redes sociais na política brasileira atingiu o ponto de saturação onde nem seus criadores estão a salvo. O recente linchamento virtual sofrido pela senadora Damares Alves e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — emparedadas por milícias digitais da própria extrema-direita — é de uma ironia macabra. O tribunal da internet, que elas alimentaram por anos com linchamentos e teorias conspiratórias, resolveu cobrar a conta em casa.
A mudança brusca de tom é patética. Aquelas que outrora lideravam hordas digitais em busca da reputação de oponentes, agora sobem à tribuna com a voz embargada implorando por “ética” e “respeito”. A hipocrisia exposta sob a luz do dia queima.
A Amnésia Conveniente do Gabinete do Ódio
Michelle Bolsonaro hoje chora contra o linchamento virtual, mas passou anos validando, com silêncio e sorrisos complacentes, a máquina de destruir reputações operada a partir do Planalto. Enquanto o alvo era a oposição, a imprensa ou o Judiciário, o método era aclamado como “liberdade de expressão”. Bastou a metralhadora girar 180 graus para virar “crueldade e perseguição”.
No caso de Damares Alves, o cinismo é ainda mais escancarado. A senadora usou o espaço solene do Senado para admitir, com todas as letras, que os ataques sórdidos contra sua honra são financiados e orquestrados por influenciadores da própria direita. Não é grandeza política; é a confissão de que a criatura fugiu ao controle. Damares agora é triturada pelo mesmo cofre que antes a blindava.
A memória não falha: Impossível esquecer quando o ministério de Damares agiu nos bastidores para expor e constranger uma criança de 10 anos, vítima de estupro, na tentativa de impedir um aborto legal. O cerco moral de fanáticos na porta do hospital tinha o incentivo do grupo que ela liderava. O sofrimento alheio era o combustível do seu engajamento.
Violência de Gênero e o Monstro Sem Lealdade
Os ataques contra Michelle e Damares apelam para o machismo rasteiro e para calúnias de teor sexual. A violência política de gênero deve ser repudiada sem hesitação, pois validar o machismo contra uma oponente é autorizá-lo contra qualquer mulher.
Contudo, repudiar a agressão não absolve a responsabilidade histórica. Michelle e Damares aprendem da pior forma que o extremismo não tem lealdade. O monstro que alimentaram não tem ideologia de estimação; ele tem apenas fome.
Ao chorarem pelo “fogo amigo” e confessarem o financiamento do ódio pela própria direita, deixam a lição definitiva: a indústria da difamação não poupa ninguém — nem mesmo as suas criadoras. É a colheita amarga de quem plantou a tempestade.

