
Envelhecer sob os holofotes no Brasil é um ato de resistência. Por Eiboo Parnanguara/ parnanguaranoticias.com Quando a figura central é Xuxa Meneghel, o envelhecimento deixa de ser um processo natural para virar alvo de um debate público impiedoso nas redes sociais.
Essa cobrança revela três grandes problemas da nossa cultura: a amnésia histórica, a hipocrisia estética e a recusa em aceitar a longevidade feminina. Gigantismo Indiscutível (O que o Brasil tenta esquecer)
Antes de julgar a estética, é preciso lembrar o impacto cultural e os números históricos da artista:
+50 milhões de discos vendidos no mundo (Xou da Xuxa 3 entrou para o Guinness Book).
Internacional: Programas simultâneos em português, espanhol (17 países + EUA) e inglês.
Audiência global: Alcançou mais de 250 milhões de telespectadores diários.
Reduzir um patrimônio cultural desse porte ao estado da pele do pescoço é o ápice do apego ao fútil. A Hipocrisia das Pernas
Existe um duplo padrão moral gritante na forma como o corpo de Xuxa é consumido:
Anos 80 e 90: Microshorts e pernas de fora eram celebrados, cultuados e erotizados pela sociedade.
Hoje: As mesmas pernas, ao exibirem as marcas naturais dos 60 anos, viram alvo de deboche e patrulhamento.
A mensagem subliminar é cruel: o corpo da mulher só tem permissão para existir publicamente enquanto servir ao deleite estético alheio. O Espelho Inconveniente dos Fãs
A geração que cresceu com a “Rainha dos Baixinhos” projetou nela um pacto de juventude eterna. Ver Xuxa envelhecer obriga essa geração a encarar a própria finitude e o passar do tempo. A agressão à imagem dela é, no fundo, uma negação da própria velhice. Machismo + Etarismo
Enquanto homens maduros são rotulados como “charmosos” e “grisalhos interessantes”, as mulheres enfrentam uma cobrança dupla: são pressionadas a fazer procedimentos estéticos, mas ridicularizadas se “exageram” ou se optam pela naturalidade. Um Ato Político e Pedagógico
Apesar dos ataques, a postura de Xuxa ao assumir suas marcas sem filtros cumpre um papel fundamental no país:
Valida o corpo real de milhões de brasileiras anônimas.
Provoca a emancipação feminina, defendendo o direito de vestir o que quiser em qualquer idade.
Promove a longevidade ativa, provando relevância ao lotar turnês e estádios na maturidade.
Encontro Marcado em Curitiba
É nos palcos que toda essa narrativa rasa cai por terra. Com a turnê “O Último Voo da Nave”, o show na Arena da Baixada em Curitiba (26 de setembro) não será apenas uma viagem nostálgica, mas a celebração viva de uma artista que continua marcando a história da cultura pop brasileira.
Em resumo: Honrar o tempo e a trajetória de Xuxa é, no fundo, fazer as pazes com a nossa própria maturidade e celebrar o privilégio de envelhecer.

